E agora, faço o que com isso?
Cara, estou pra escrever sobre isso desde dezembro/2025 e ainda não sei o que dizer ou como explicar essa decisão. Precisaria contextualizar essa condição mas a história é tão profunda e comprida que, não me julgo capaz de deixar a coisa toda coesa. De repente, após um momento de exaustão, passei a enxergar peças se encaixando como num quebra cabeças que, pode ser que só faça sentido pra mim e, respaldou minha decisão, minha escolha.
Deixa eu tentar...
Em algum momento da minha vida, percebi que pedia permissão ao mundo para fazer as coisas, para querer, para ser eu. Estava ali mais uma vez diante da minha criança interior, uma menina de 04 anos de idade pilotando o meu avião, a minha vida. Com isso, fui rastreando meus relacionamentos, principalmente amorosos e percebendo que ser escolhida era um ponto pra mim. Olhei pra trama das minhas relações e vi que sempre dependi do olhar do outro, que vivia em função do outro e, para ser escolhida, eu fazia tudo funcionar no meu entorno. Eu era responsável por deixar tudo perfeito, por colocar sorrisos nos rostos das pessoas pois, do contrário, eu seria rejeitada. E sim, eu fazia! E fiz muitas vezes, até que meu corpo falou assim: Então, vamos parar de fazer do fundo do poço o seu parquinho? Você não aguenta tudo. Você está sangrando há muito tempo!
Guerreira, forte, a que dava jeito em tudo, EU!
Vivi sob essa couraça por longos 40 anos. Propondo novos desafios ao meu corpo físico e emocional e ele dando seu jeito de me acompanhar mas, ele pifou, ele desistiu temporariamente de mim, me deu um xeque-mate.
Na iminência da morte, e não exagero ao dizer, dentro de um colapso sistêmico e implosão interna agendada, precisei escolher entre continuar carregando um mundo de fantasias nas costas ou me escolher.
Com um mundo de fantasias eu já estava acostumada mas, me escolher, que diabos seria isso?
Não pensem que essa 'solução' surgiu do nada. Há anos eu já vinha imaginando, verbalizando mas, o medo me engolia a cada tentativa de dar um passo rumo a essa decisão e eu recuava, preferia permanecer no lugar conhecido, na zona de conforto. Pohan, que conforto, hein?
Valorizo muito a vida, muito mesmo e a última investida do meu corpo foi, bóra dar um sustinho nela aqui pra ver o quão louca ela é, já que falei, gritei, doí. E assim, no início de dezembro, vivendo a loucura de finalizar o semestre de duas faculdades, equilibrando com maternidade e relacionamento amoroso, investida de uma agonia perfurante, me escolhi.
Ufa!
E agora, faço o que com isso?
Então, ainda não sei.
Tem quase um mês que saí fisicamente de onde estava e, com apoio, estou recomeçando mais uma vez. A tal saga escorpiana. Cansatiiiiva...
Agora estou me vendo, revendo posicionamentos, hábitos, escolhas, condicionamentos. Tentando descobrir como retomar as rédeas da minha vida na posição de adulta, enquanto acolho as dores da Naiala de 04 ou 05 anos que lidou como pode com o mundo que lhe foi apresentado e cristalizou sentimentos, inclusive no corpo físico.
Sobre minha saúde, ainda em dezembro, refiz exames e deu negativo pra suspeita de umas das doenças autoimunes sob suspeição. Sigo tomando anticoagulante e volto em fevereiro para fazer exames e investigar e segunda hipótese de doença autoimune que pode ter me causado a TVP.
No mais, por hora é isso. Não por falta de ter o que escrever afinal, minha cabeça não me dá folga mas, por necessidade de digerir os insights, volto assim que for possível voltar.
Xêro!
Naiala Ferreira

Nenhum comentário:
Postar um comentário